Repúdio à mediocridade
Há três anos, a Internet se viu tomada por mais uma mácula inofensiva na aparência, outro blog cuja distinção - se é que podemos assim dizer – estava no apego apaixonado aos assuntos execráveis e subalternos. O único mérito do escrevinhador era ter a capacidade e ousadia de avançar sobre uma estrada cujo percurso faria ruborizar qualquer blogueiro que preza a dignidade e tem vestígios de amor-próprio. Fazendo uso de estratégias obscuras e questionáveis de divulgação, iludindo e enganando os desatentos, atraindo e seduzindo os perspicazes, manipulando os sistemas de busca, ele conseguiu emboscar vários incautos na teia de mesquinharias e boçalidades que se enroscam naquele ponto da web.
Entende-se que uma, duas, até três vezes, o internauta voltasse para confirmar aquilo que lhe deixou os olhos prenhes de estupefação. Para ele, sensibilidade virgem de porcarias tão bem concentradas, relacionadas com a exação de inventário, “era impossível haver tanta futilidade numa só cabeça, tanto lixo num só terreno baldio, teria se enganado”. Mas, uma vez confirmado, não havia necessidade de retorno, censuraria aquela página em seu PC e se empenharia em desestimular as personalidades inclinadas em chafurdar naquele estrume de pensamentos nauseabundos. Ora, para meu pasmo, esta projeção, que me parecia um truísmo, se desvaneceu sob o jorro contínuo de visitas que afluiu para o LLL, no ímpeto desesperado de beber mais e mais da fonte contaminada. As exaustivas auto-indagações sobre o fenômeno não me renderam nem mesmo um sopro débil de resposta vacilante.
Como, em sã consciência, alguém pode se deleitar com temas e abordagens condenados, hipoteticamente, à danação e ao desprezo antes mesmo de serem convertidos em palavras? Um desdém gelado seria a melhor resposta aos arremedos de escritor que encontram nas improvisações do ócio a matéria-prima de sua atualização, “para encher lingüiça”, no dizer do vulgacho. Ora, vá encher lingüiça no açougue, onde poderá se deparar também com a carniça, irmã siamesa daquilo que escreve.
O infame blogueiro maltrata e ofende os seus leitores, diz, palavra por palavra, que não lhes dá a menor importância e, apesar de disso, há um séqüito grandioso de visitantes que todos os dias volta e lê, sem assombro, o produto de sua indiferença. Esta seria deliciosa de se apreciar se fosse feita com habilidade e apuro formal, com técnica e ironia, demonstrando assim todo o conhecimento extraído das dezenas de livros que o Liberal diz ter lido. Até as ignomínias pedem certa elevação. Pode se ofender e desdenhar sim, em ultimo caso até se refestelar em assuntos menores, na extrema abjeção de temas aviltantes, mas há de ser feito com elegância estilística, há de se conceber engenhosamente o pensamento e depois vesti-lo. Ninguém anda pelado pelas ruas. O que se vê no LLL é uma erupção fastidiosa de coisa nenhuma, sem rigor nem qualidade. É um cortejo infindável de pés, ego e arrogância. A mediocridade não terá um leito de flores no regaço de minha alma.

