Incoerência e mentiras
Ostentar listas de leitura é apenas reforçar a incoerência do Liberal - para usar um termo ameno. Aos olhos dos que têm cérebro na cabeça, em vez de torresmo, bastaram alguns frangalhos de textos e uma ligeira olhadela no blog para sentir-se invadido pela mais pura verdade: o blogueiro é um mentiroso, autor das maiores patranhas. Diria até que o Liberal possui a vocação da mentira. Vocação incompleta, já que só ludibria os lorpas incuráveis, os néscios que adoram ver coligidas lorotas e falsidades. E tudo exposto com um carinho minucioso. Como poderia nutrir outra opinião se ele conspira todo o tempo contra si mesmo?
O atualizador de pensamentos miúdos diz, por outras palavras, que as impressões das pessoas a seu respeito são desprezíveis, nem espetam ou corroem sua auto-estima, por isso, não vale a pena discutir, só ignorar as aleivosias do fundo de seu tabernáculo, onde ri às escancaras dos "idiotas" (palavra dele) que lhe enviam palavras gentis como estas. O obsessivo colecionador de insignificâncias afirma que dá de ombros aos seus detratores, sendo hermético a críticas, mas não percebe a contradição em que desaba ao mentir assim. Se ele desdenhasse com sinceridade, nem se importasse com opiniões de desconhecidos, aquela lista de leitura jamais chegaria à apreciação dos leitores. Leria e transformaria o fruto do empenho em posts substanciais. Convenhamos, alguém que fosse assim impassível teria a vaidade imatura, enrijecida na fase embrionária, dispensando-se do trabalho de chocar internautas bundões com as dezenas de livros supostamente lidos. Morando num país onde o povo não lê, é sem trauma que vejo os espantos diante de tão dedicada incursão pelo mundo das idéias. Por me expressar deste modo, darei a entender que estou fazendo uso de ironia - mas não é outra coisa.
Olha, Liberal, estou a par das suas pretensões literárias, até do livro de título muito infeliz que garatujou, apesar de estar privado da leitura (é que tempo me falta para as atividades tolas), então me julgo legítimo para alertá-lo. Se as centenas de livros que leu vorazmente entraram por um neurônio e saíram por outro, como o nível de seus textos sempre sugeriu, é sinal de algo errado. Ninguém, absolutamente ninguém, consegue descer tão baixo no medíocre se já travou contato com Eça, Machado, Camilo, ou outros escritores de igual ou maior envergadura literária. A elevação da qualidade é uma conseqüência fora de nosso controle, se temos algo no cachaço além do cabelo. O que ponho em dúvida é se houve de fato a leitura daqueles livros citados. Quanto à quantidade, julgo que é perfeitamente viável ler trinta livros em dois meses, contanto que se embrenhe num ritmo convulsivo e tenha uma ociosidade mais densa e prolongada que a vulgar massa. É o chamado ócio criativo, nas palavras de Domenico De Masi. Mas a prova cabal de sua conversa fiada está na forma e conteúdo dos posts que soterram o blog e deixam frágil o aço da paciência, a ponto de corrompê-lo de vez.
Por favor, não me acoime de internauta intransigente com um meio feito para deleitar paladares menos sofisticados, acostumados a digestões fáceis. Aposto que à imensa maioria nunca ocorreram tais suspeitas, que ditas, soam como obviedades. Estou apenas sendo sincero e piedoso, sem intenção de abalar perenemente a auto-estima do Liberal. Há uma aluvião de maneiras de aceitar, concordar, bajular e enganar, mas só uma de ser honesto: dizendo a verdade. Negar-lhe faria supor que ele não teria coragem de ouvi-la, e isso, a meu ver, é a suprema exprobação.

