PERSCRUTADOR

25 março, 2006

Confusão ofensiva

Tenho visto confusão forçada acerca do proprietário deste blog. Muitos estão atribuindo a sua autoria a um certo Libertário, que mantém um esgoto digital na Internet. Posso desculpar, sem rancor, que venham aqui, leiam, apreciem e saiam em silêncio, deixando suspensa a opinião sobre os posts. Embora pouco educado – pois ofereço a oportunidade de limpar a língua com a demonstração rara do cinzelar verbal-, é conduta comum entre os internautas analfabetos. Seria exigência em demasia esperar um comentário articulado de incipientes no bê-á-bá. Mas se embaraçar tanto a ponto de confundir na mesma ignorância a água e o vinho é demais, é muito forte para mim - só pode ser evidência inabalável de estupidez. Se houvesse tribunal onde se buscasse provar a existência de ignaros, de obtusidades córneas, eu teria sólidos elementos para condenar vários à prisão perpétua.

Pelo que sei, o Libertário não é nenhum Fernando Pessoa. Não tem múltiplas personalidades literárias. A façanha de variar totalmente de estilo, quando bem lhe apetece, é habilidade desconhecida por sua mirrada caixa de recursos. Alberto Caieiro e Bernardo Soares jamais moraram dentro dele. Então por que andam afirmando o oposto? Se colocarmos nossos posts lado a lado, veremos quão estupidamente se enganam os crentes na versatilidade verbal daquele blogueiro. Um vasculhar atento em seu arquivo de pseudotextos dará a confirmação disso. O que salta dali pode ser tachado de tudo, exceto de parente de minhas entranhas criativas. Uma frase minha vale por dez parágrafos dele. Uma rajada de minha crítica deixa em frangalhos seus posts ardorosamente paridos. O conjunto de meus poucos textos, que me tomou alguns minutos, equivale aos três anos de atualização nefasta de suas depravações e idiotias.

Esta defesa veemente poderia cair por terra se fosse apenas exercício de redação. Se fosse trivial aquecimento de dedos, sem base em que se estender. Os leitores mais argutos logo notariam a farsa, e eu veria sabotada a credibilidade de blogueiro profissional. “Se fosse”. O Libertário, até onde me faço saber, em seu exíguo poder de expressão, só consegue publicar espasmos de textos, farrapos de idéias. Estas podem ser boas, mas carecem de um exprimir-se consistente, de um lapidar preciso, de uma escolha justa das palavras, de um afastar tempestivo da trivialidade com que torna públicos os pensamentos.

Quero dizer com isso que sou insuperável? Bem, sou muito acanhado para responder. Deixo a cargo do leitor plenamente alfabetizado a resposta a esta pergunta. Só determino que renunciem à confusão de autores e textos. Eu sou eu. Ele é ele. Simples e claro.

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